Desde 2010 a amazona gaúcha Karina Harbich Johannpeter está residindo, novamente, na Alemanha. O Jornal do Hipismo foi até Aachen para conversar com a amazona que conta seus objetivos,
rotina de treinos e competições e afirma “Para estar no primeiro time do Brasil, tem que estar na Europa".
Karina em Aachen |
1) Como foi a mudança do Brasil para Alemanha em
2010?
Como eu já havia morado
na Alemanha por dez anos quando era mais jovem, não foi uma grande mudança.
Minha mãe, Cristina Harbich, mora aqui, e eu vim com o objetivo de fazer uma
preparação para tentar a vaga para a Equipe Brasileira dos jogos Pan-
Americanos de Guadalajara em 2011.
2) Como funciona a rotina de treinos e
competições?
Tenho meus
cavalos em um manege na cidade de Ibbenbüren, Alemanha, junto com meu namorado
Torben Köhlbrandt. Treinamos praticamente todos os dias. Em média participo de
duas competições por mês. Claro que isto depende da condição e saúde dos
cavalos e também dos convites para os concursos, algo que está cada vez
mais difícil aqui na Europa falando em concursos de nível 3 à 5 estrelas.
3) Que cavalos você compete hoje e em quais
categorias?
Tenho o alazão de
dez anos, Ruswil, que este ano tem sido meu principal cavalo nas provas de
1m50. Ele está saltando com facilidade os Grandes Prêmios de 2 e 3 estrelas e
este ano o objetivo é que ele suba ainda mais de patamar. Ele obteve um bom
desempenho em Oliva, no circuito na Espanha onde ficou em 7º lugar no GP. Era
com ele que estava previsto de ir saltar o The Best Jump em Maio deste
ano. Há semanas atrás ele teve um acidente no caminhão e teve ¾ da língua
cortados, mas já está operado e em recuperação. Este foi o motivo pelo qual
tive que cancelar minha participação no CSIO Lisboa.
Karina e Ruswil |
No ano passado meu
principal cavalo foi o Uraquay, tordilho de doze anos que adquiri no início de
2012, e que saltei o Grande Prêmio "Preis of Europe" em Aachen na edição
passada. Depois do bom desempenho no GP de quarta em Aachen recebi a convocação
para as Olimpíadas de Londres, o que me deixou extremamente feliz, porém
somente por algumas horas, pois, na sexta pela manhã, ele (Uraquay), sofreu uma
cólica e foi operado.
Ele passou por oito
meses parado e só retomou suas atividades inicio deste ano. No momento ainda
está saltando somente as provas de 1m45 e deve levar mais um a dois meses para
voltar a sua forma anterior. Estou fazendo a recuperação dele com bastante
calma, afinal oito meses sem saltar é muito tempo e até a estrutura muscular se
recuperar leva certo tempo. Ano passado ele provou que tem plenas condições de
enfrentar percursos realmente difíceis, então tenho todo cuidado com este
cavalo. Isso que passou ano passado foi bastante duro, mas é assim o nosso
esporte, uma hora no auge e horas depois... Mas faz parte! (risos).
Karina e Uraquay em Aachen 2013 |
Tenho ainda a
DragonFly, égua de dezesseis anos que saltei o Pan-Americano de Guadalajara em
2011. Como é uma égua mais velha e teve uma lesão no tendão após o Pan, compito
nas provas de velocidade, de 1m45. Enquanto ela estiver fazendo estas provas
com prazer e se classificando, mantenho ela no esporte. Provavelmente ano que
vem devo coloca-lá na cria. Ela vai me dizer a hora de parar.
Assumi agora mais
novas montadas, a Skala, égua tordilha de dez anos que o Torben vinha saltando,
e ainda uma égua jovem de sete anos, Vanilla, que tenho levado junto nos
concursos. É algo bem bacana também sempre ter um cavalo novo se desenvolvendo
junto com os cavalos mais experientes. E sempre é uma oportunidade para estes
cavalos participarem de concursos de bom nível. Assim quando chegam aos oito ou
nove anos já estão bastante experientes para enfrentar a série forte do
esporte.
Karina na premiação de Aachen com Vanilla |
Karina e DragonFly |
Tenho ainda o Urolux. Ele ainda veio comigo do Brasil. Ele é
um cavalo com a saúde bastante frágil então passa sempre algum tempo parado.
Esta voltando depois de uma parada de seis meses. Ainda não sei se ele vai se
recuperar plenamente. Acredito que até Setembro já deve estar competindo nas
provas de 1,50m, se tudo der certo.
Karina e Urolux |
4) Conte sobre sua participação no CHIO Aachen
deste ano:
Recebi o convite
para participar em Aachen somente duas semanas antes do inicio do concurso.
Realmente não esperava o convite. Acredito que o motivo pelo qual consegui a
vaga foi a desistência do Rodrigo (Pessoa), que estaria participando de um
concurso em Monte Carlo na mesma semana, e talvez também o bom desempenho da
minha participação no ano passado. Além disto, acredito que a organização ficou
comovida com o que aconteceu com Uraquay, minha entrada na equipe para Londres
e um dia depois a cólica. O importante é poder estar fazendo parte de evento
hípico incrível.
Fico chateada de
participar de um concurso deste nível, onde é muito difícil entrar, não estando
com os cavalos 100% na forma como eu gostaria. O Uraquay é um cavalo que tem
condições, e já mostrou, de fazer competições deste nível, mas não está em
plena forma, ainda faltam um ou dois meses para ele chegar ao nível que estava
antes da cólica, e juntou com o azar do acidente do Ruswil da língua e ai,
realmente, um concurso deste sem estar com os dois principais cavalos 100% em
forma é difícil. Mas até agora a Dragonfly fez seu papel e buscou duas
escarapelas. Como diz meu irmão André: “escarapela em Aachen tem valor dobrado”!
5) Mesmo com o azar dos cavalos não estarem em
plenas condições, você aprecia a participação no CHIO Aachen 2013?
Sem dúvida!
Aachen é um sonho que todo cavaleiro tem de participar. Ano passado foi a
primeira vez que participei e é uma sensação incrível, acho que todos
cavaleiros brasileiros que já passaram por aqui sentem a mesma emoção. O
público é muito conhecedor do esporte e vibra junto. É uma honra saltar em
Aachen, além de a sensação ser muito especial. É o concurso mais incrível que
já participei.
6) Qual o próximo objetivo na carreira atleta
agora?
O grande objetivo
é no ano que vem saltar o Mundial pelo Brasil.
Claro que existem
várias etapas antes disso. A CBH está tentando fazer, junto ao chefe de equipe
Jean Maurice, algumas Copas das Nações, como em Lisboa (Portugal), Bratislava
(Eslováquia) em agosto, Arezzo (Itália) em setembro, e encerrando na final da
Super Liga em Barcelona, onde dezoito equipes do mundo todo disputam a final.
Fico bem contente que o Brasil esteja habilitado a participar desta final e espero
poder participar e contribuir para um bom resultado pelo Brasil, caso convocada
em alguma das copas que vamos participar, e talvez até da final em Barcelona.
7) Para o cavaleiro ou amazona participar destas
competições existe um ranking?
Isto é sempre
complicado, pois o ranking da FEI (Federação Eqüestre Internacional) funciona
por resultados do cavaleiro/amazona e não por resultados do conjunto. Então o
chefe de equipe avalia os conjuntos e indica para participar das competições, e
não olha necessariamente o Ranking da FEI que não espelha o resultado por
conjunto.
8) Quais são seus sonhos como amazona?
Tenho vários. E
acredito que depois de conquistar alguns deles novos sonhos surgem.
Saltar em Aachen foi um
que fico muito feliz em ter conseguido realizar. Outro grande objetivo era
depois de participar do Pan em Santo Domingo, onde eu era muito jovem (18 anos)
e inexperiente, saltar novamente um Pan. Com a medalha de prata por equipe em
Guadalajara esse sonho também se concretizou.
Uma olimpíada pelo
Brasil, no Brasil claro que é outro sonho! Porém, somente participar não me
bastaria. Tenho o objetivo de, se participar, alcançar um bom resultado pelo
Brasil.
Doda, Karina, Rodrigo e Bernardo em Guadalajara 2011 |
9) Você pensa em voltar a treinar no Brasil?
Neste momento com os
objetivos que almejo, infelizmente, não.
Na minha visão, em
nível de Pan-Americano, nós temos boas condições de fazer uma preparação no
Brasil, mas em nível de Mundial e Olimpíadas é importante passar um longo
período aqui na Europa/ EUA. Temos inúmeros exemplos que comprovam isso. Não
acho nem que tem somente a ver com a dificuldade das competições entre Brasil,
Europa e Estados Unidos, mas muito também com a concorrência. Penso que
concorrência forte de bons conjuntos faz-nos crescer e se desenvolver, além da
disciplina que o frio europeu exige!
10) Como você enxerga o
hipismo no RS hoje?
No momento é difícil
avaliar porque tenho ido pouco, e quando vou passo na hípica para dar “oi” para
o pessoal, sem ter um olhar muito voltado para avaliar o esporte no RS. Mas o
que eu tenho visto são as melhorias que, às vezes, são mais lentas do que
gostaríamos, mas acontecem. Temos uma grande dificuldade no nosso país que são
as distâncias e as estradas que, a meu ver, são extremamente desgastantes para
os animais. Eu me lembro que quando morava no Brasil, depois do The Best Jump
levava meus cavalos para São Paulo e ficava lá até meados de junho, após,
retornava para Porto Alegre mais um mês e voltava para São Paulo para mais
campeonatos até Outubro, para tentar fugir das viagens. Assim tentava ajustar
da melhor maneira para os cavalos.
Deixe um recado para o
RS:
Sinto falta de estar no
Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. É bom estar aqui, estar participando dos
concursos, mas sinto falta de casa. É bom receber pessoas aqui na Europa e
saber que estão torcendo e mandando energias positivas para cá.
Canal do Youtube:
KarinaJohannpeter
Calendários das provas:
Julho
7 – Villach – Áustria
4*
14 – Sprangenberg –
Alemanha 3*
21 – Münster – Alemanha
4*
*Fotos: JH e arquivo pessoal
Nenhum comentário:
Postar um comentário